Se soubéssemos exatamente o que esperar do Sistema Solar, não teríamos razões para explorá-lo.


Confirmação surpreende cientistas

Elas se deslocam por vários metros. Antes, pensava-se que o movimento seria mais lento. Crédito: MRO/NASA

 

As dunas de Marte são muito mais dinâmicas do que se imaginava e chegam a se deslocar vários metros, segundo constataram um grupo de cientistas da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) graças às imagens da sonda de reconhecimento Mars Reconnaisance Orbiter (MRO) que orbita o planeta vermelho e que foram divulgadas na quinta-feira (17).
“Estamos acostumados a pensar que a areia em Marte é relativamente imóvel, por isso estas novas observações estão mudando nossa perspectiva”, afirmou Nathan Bridges, cientista do Laboratório de Física da Universidade Johns Hopkins, em Maryland. Segundo Bridges, que publicou suas descobertas na revista Geology, ou Marte tem mais rajadas do que se pensava “ou os ventos são capazes de transportar mais areia”.
A superposição das imagens detectadas pela sonda mostra claramente o movimento das dunas, algo que contrasta com as teorias científicas de apenas uma década atrás que apontavam que estas não se movimentavam ou faziam em um ritmo tão lento que não se podia detectar. A sonda MRO, lançada em 2005, e as imagens captadas pela câmera de alta resolução HiRISE, permitiram documentar o movimento anual de uma dúzia de dunas e outras formações em todo o planeta.
A atmosfera de Marte é muito tênue e por isso são necessários ventos muito fortes mesmo que para movimentar um grão de areia. De acordo com os cálculos, apenas ventos de 130 km/h podem movimentar essas pequenas partículas que na Terra se deslocariam com ventos de 16 km/h.
Os cientistas declararam que não registraram movimento em todas as dunas observadas, mas destacaram que esta descoberta ressalta a importância da vigilância a longo prazo em alta resolução.

 

Portal da Ufologia Brasileira, link: http://www.ufo.com.br/noticias/movimento-nas-dunas-de-marte-foi-claramente-captado

Lua de Júpiter pode abrigar vida


Capa de gelo sobre mar de Europa é mais fina do que se pensava

Superfície gelada de Europa pode surpreender os cientistas. Crédito: NASA

A lua Europa, que orbita o planeta Júpiter, pode esconder um corpo hídrico do tamanho dos Grandes Lagos da América do Norte, anunciaram astrônomos nesta quarta-feira (16) em estudo publicado na revista científica Nature. Cientistas agora aguardam a confirmação dos dados pela missão com robôs ao satélite de Júpiter, anunciada na lista de candidatos de futuras missões da Agência Espacial Norte-Americana (NASA). A descoberta é animadora, já que a água é um dos componentes chave da vida.
Os dados sugerem que há uma troca significativa entre a cobertura de gelo de Europa e a profundeza do oceano. Esta informação poderia apoiar argumentos de que toda a parte abaixo da superfície da lua representa um possível habitat para a vida em outro lugar do Sistema Solar. “Os dados nos abrem possibilidades”, disse Mary Voytek, diretora do Programa de Astrobiologia da NASA. “No entanto, cientistas vão precisar de uma análise mais profunda e revisar os dados antes que possam avaliar com maior precisão o que, de fato, os resultados implicam”, disse.
Com sua cobertura branca e gelada refletindo o distante Sol, Europa é o segundo satélite mais próximo de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar. Fotos dela, enviadas pela sonda Galileu durante exploração feita entre 1995 e 2003, mostram uma superfície castigada, marcada por rachaduras e gelo remexido.
Tentando compreender como uma topografia tão incomum se desenvolveu em um lugar tão obscuro, os cientistas acreditavam que a resposta poderia ser encontrada em processos similares aos observados na Terra.

Portal da Ufologia Brasileira, link: http://www.ufo.com.br/noticias/lua-de-jupiter-pode-abrigar-vida


Cientistas confirmaram a existência de um planeta semelhante a Terra na “zona habitável” em torno de sua estrela mãe.

Kepler 22-b encontra-se cerca de 600 anos-luz de distância e tem cerca de 2,4 vezes o tamanho da Terra, com uma temperatura de cerca de 22 graus Celsius.

Kepler 22-b está 15% mais perto de seu sol do que a Terra está do nosso sol, e seu ano dura cerca de 290 dias. No entanto, a estrela do planeta anfitrião tem cerca de 25% menos luz, mantendo a temperatura do planeta amena o suficiente para apoiar a existência de água líquida.

Até agora, esse é o planeta mais próximo parecido com o nosso – uma “Terra 2.0″. O que os astrônomos ainda não sabem, no entanto, é se Kepler 22-b é feito principalmente de gás, rocha ou líquidos.

Kepler 22-b era um dos 54 candidatos a exoplanetas em zonas habitáveis relatados pela equipe de Kepler em fevereiro, e é apenas o primeiro a ser formalmente confirmado usando outros telescópios.

Mais “Terras 2.0″ podem ser confirmadas no futuro, apesar de que uma redefinição dos limites da zona habitável trouxe o número de 54 para 48. 10 deles são do tamanho da Terra.

Durante a conferência em que esse resultado foi anunciado, a equipe de Kepler também disse que avistou 1.094 novos candidatos a planetas. O número total de candidatos encontrados pelo telescópio está agora em 2.326 – dos quais 207 são aproximadamente do tamanho da Terra.

Os resultados sugerem que os planetas que vão desde o tamanho da Terra a cerca de quatro vezes o tamanho da Terra – os chamados “super Terras” – podem ser mais comuns do que se pensava.

O telescópio espacial Kepler foi projetado para olhar para uma faixa fixa do céu, para cerca de 150.000 estrelas. O telescópio é sensível o suficiente para ver quando um planeta passa na frente de sua estrela-mãe, escurecendo um pouco a luz da estrela.

Kepler identifica essas pequenas mudanças na luz das estrelas como candidatos a planetas, que são depois confirmados por observações de outros telescópios em órbita e na Terra.

Conforme os candidatos a planetas semelhantes à Terra são confirmados, a Busca por Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês) tem um foco mais estreito para sua caça.

“Esta é uma oportunidade excelente para observações”, disse Jill Tarter, do Seti. “Pela primeira vez, podemos apontar nossos telescópios para as estrelas sabendo que elas realmente hospedam sistemas planetários – incluindo pelo menos um que se aproxima da Terra na zona habitável em torno de sua estrela mãe”, completa.[BBC

Falhou, mas ainda tem chance


Falha em propulsor impede que estação interplanetária russa chegue a Marte
09/11/2011

A primeira missão interplanetária da Rússia em mais de duas décadas teve problemas no percurso a estação não tripulada Phobos-Grunt (Phobos-Sol, em russo) não conseguiu realizar o curso para Marte após o seu lançamento, segundo informou a agência de notícias Interfax, citando Vladimir Popovkin, o chefe da agência espacial russa Roskosmos.

Segundo ele, o propulsor da nave falhou, o que fez com que ela ficasse em órbita em torno da Terra. A estação foi lançada com o objetivo de pousar na lua marciana (Phobos) e trazer de volta à Terra amostras do solo marciano, algo próximo de 200 gramas.

“O propulsor não funcionou. Não houve nem primeiro nem segundo acesso. Isto significa que o aparelho não pôde se orientar pelas estrelas”, disse Vladimir Popovkin. Ele afirmou que os especialistas de terra conhecem os parâmetros da órbita da sonda interplanetária automática e estabeleceram contato com ela.

“Não direi que (o lançamento) foi um fracasso. É uma situação imprevista, na qual é preciso trabalhar”, comentou. O diretor da agência espacial acrescentou que os especialistas têm 72 horas para carregar um novo programa de voo no computador central da Phobos-Grunt.

Popovkin lembrou que a sonda conserva todo seu combustível, o que permite voltar a programar seu voo, que tem como objetivo pousar em Phobos, uma das duas luas marcianas, e trazer de volta à Terra amostras de seu solo. O projeto, se tudo der certo, permitirá o estudo da matéria inicial do sistema solar e ajudará a explicar a origem de Phobos e Deimos, a segunda lua marciana, assim como dos demais satélites naturais no sistema solar.

O foguete Zenit que transportava a sonda Phobos-Grunt, decolou às 0h16 de Moscou (18h16 Brasília de terça-feira) do cosmódromo russo de Baikonur, nas estepes do Cazaquistão, segundo imagens “ao vivo” difundidas pelo site da Roskosmos.

Segundo o plano inicial, a nave alcançaria a órbita de Phobos em menos de um ano, depois de procurar o lugar mais apropriado para firmar o contato com a superfície lunar. A ideia era que a estação alcançasse a superfície de Phobos em fevereiro de 2013.

*Com informações das agências internacionais de notícias


Em rara aproximação, asteroide passa a 300 mil km da Terra, diz Nasa

Cientistas da Nasa (agência espacial americana) confirmaram que o asteroide 2005 YU55 passou a 325 mil km da Terra nesta terça-feira (8/11), a distância mais próxima em fenômenos do tipo nos últimos 35 anos, e algo que deve voltar a ocorrer somente em 2028.

Asteroide que passa pela Terra não traz perigo, diz Nasa

Embora a agência já tivesse descartado qualquer chance de colisão ou efeitos sobre placas tectônicas, por volta das 18h28 da costa leste dos EUA (21h28 em Brasília), o asteroide chegou a ficar mais próximo da Terra do que a Lua, cuja distância média do planeta fica em torno de 384 mil km.

Em diversos pontos dos EUA foram montados esquemas de observação. O 2005 YU55 só pôde ser visto com a ajuda de telescópios, e segundo a Nasa teve o aspecto de um ponto branco por trás de uma constelação de estrelas.

Nasa
Imagem do asteroide 2055 YU55 que passará a 324 mil km de distância da Terra; foto foi tirada pela Nasa
Imagem do asteroide 2055 YU55 que passará a 324 mil km de distância da Terra; foto foi tirada pela Nasa

“É uma oportunidade fantástica de educar o público que há coisas no espaço sobre as quais precisamos nos preocupar”, disse Ron Dantowitz, diretor do Clay Center Observatory, no Estado de Massachusetts.

Com o tamanho de um porta-aviões, caso o objeto tivesse se chocado com a Terra, poderia abrir uma cratera de 6,4 km de diâmetro e 528 metros de profundidade. E se tivesse caído no oceano, teria provocado um tsunami com ondas de até 21 metros.

Asteroides são “sobras” da formação de sistemas solares há cerca de 4,5 bilhões de anos.

DESCOBERTA

Os astrônomos que estudam este objeto, classificado como um asteroide de classe C, dizem que é muito escuro, cor de carvão, e bastante poroso.

O 2005 YU55 foi descoberto em 2005 por Robert McMillan, do projeto Spacewatch, grupo de cientistas que observa o sistema solar perto de Tucson, Arizona (sudoeste).

Leonard Ortiz/Associated Press
Cientisa americano se prepara para observar passagem de asteroide ainda durante a tarde desta terça-feira
Cientisa americano se prepara para observar passagem de asteroide ainda durante a tarde desta terça-feira

O objeto faz parte de um conjunto de 1.262 asteroides grandes, que giram ao redor do sol e têm mais de 150 metros de largura, que a Nasa qualifica como “potencialmente perigosos”.

“Queremos estudar estes asteroides, de forma que se algum dia formos atingidos, saibamos o que fazer com ele”, disse Statler.

A passagem mais próxima que um asteroide fará da Terra será em 2094, a uma distância de 269 mil km, segundo as previsões.


A maior simulação de uma viagem espacial a Marte já feita terminou nesta sexta-feira com a ‘chegada’ à Terra do grupo de seis homens que ficou isolado do mundo exterior em um módulo durante os 520 dias de duração da experiência.

A escotilha foi aberta exatamente às 14 horas de Moscou (8 horas de Brasília), e os seis voluntários saíram do simulador de nave interplanetária montado na sede do Instituto de Problemas Biomédicos de Moscou (IPBM).

Um por um, os ‘terranautas’ deixaram o simulador — sorridentes, como se pôde perceber nas imagens disponibilizadas pela imprensa russa — e foram recebidos por autoridades, familiares e amigos, com os quais só poderão voltar para casa após três dias de quarentena, na qual serão submetidos a exaustivos exames médicos.

Os voluntários – os russos Alexei Sitev (engenheiro), Aleksandr Smoleevski (médico) e Sukhrob Kamolov (cirurgião), o ítalo-colombiano Diego Urbina (engenheiro), o francês Romain Charles (engenheiro) e o chinês Wang Yue (instrutor de astronautas) – concederão uma entrevista coletiva na próxima terça-feira.

‘O projeto Marte-500 foi um sucesso – no mínimo pelo fato de que nenhum dos membros da tripulação internacional desistiu da experiência’, declarou Aleksandr Suvorov, chefe executivo da missão, à agência estatal russa ‘RIA Novosti’.

Suvorov explicou que a simulação demonstrou que ‘o ser humano pode suportar uma viagem a Marte de ida e volta’, embora devido à quantidade de recursos que seriam necessários, incluindo alimentos, a tripulação de uma viagem real seria composta por quatro ‘astronautas’, e não seis.

Viagem em 2030 — O fim da experiência foi aproveitado pelo subdiretor da agência espacial russa Roscosmos, Vitali Davydov, para reiterar que a Rússia tem planos de enviar um voo tripulado a Marte por volta de 2030. ‘Marte está em nossos planos. Será para meados de 2030. Muitos dos que estão aqui hoje viverão para vê-lo’, disse Davydov em entrevista coletiva.

O chefe do programa de voos tripulados da Roscosmos, Alexei Krasnov, informou por sua vez que a agência planeja repetir a experiência Marte-500, mas no espaço. ‘Quando isso ocorrerá? Acho que não antes de dois anos’, disse Krasnov.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/apos-520-dias-chega-ao-fim-maior-simulacao-de-viagem-a-marte

Ozônio em Vênus


Sonda detecta camada de ozônio em Vênus

Cientistas descobriram que Vênus tem uma fina camada de ozônio, centenas de vezes menos densa do que a da Terra. A descoberta foi feita pela sonda Venus Express, da Agência Espacial Europeia (AEE).

Até agora, cientistas só tinham detectado camadas de ozônio nas atmosferas da Terra e Marte. A nova descoberta em Vênus foi uma surpresa, e pode ajudar os astrônomos a aperfeiçoarem a busca por vida em outros planetas.

A camada de ozônio de Vênus se estende por 100 quilômetros, sendo cerca de três vezes maior do que a altura dessa camada em nosso planeta.

O ozônio uma molécula com três átomos de oxigênio é formado quando a luz solar quebra o dióxido de carbono na atmosfera de Vênus para formar moléculas de oxigênio. Na Terra, o ozônio absorve grande parte de raios solares nocivos, impedindo-os de chegar à superfície, e é formado de maneira semelhante.

Alguns astrobiólogos afirmam que a presença de oxigênio, carbono e ozônio na atmosfera indicam a existência de vida na superfície de um planeta. A nova descoberta nega esse pressuposto a mera presença de oxigênio em uma atmosfera não é uma evidência suficiente de vida.

No entanto, a presença de grandes quantidades desses gases, como na atmosfera terrestre, ainda é uma boa pista de vida em outros planetas. [BBC]

Mercúrio


NASA anuncia novidades sobre Mercúrio

Por Stephanie DOrnelas em 10.10.2011 as 16:00 RSS RSS Feeds

Se juntássemos toda a cinza vulcânica presente na superfície de Mercúrio, seria suficiente para cobrir uma área duas vezes maior do que o estado de Goiás com uma camada de mais de 6.000 metros. Esse é apenas uma das novas revelações que pesquisadores da agência americana NASA fizeram, no último dia 30, sobre o primeiro planeta do sistema solar.

As descobertas, em sua maioria, são mérito direto da sonda Messenger, de 446 milhões de dólares. É um artefato que está no espaço desde 2004, entrou na órbita de Mercúrio em março desse ano, e forneceu informações para sete relatórios sobre o planeta recentemente.

A faceta vulcânica de Mercúrio foi um dos pontos de maior destaque das novas pesquisas. Conforme apurou a sonda, através de imagens em alta definição, crateras de quase 2 quilômetros de profundidade foram cobertas de lava até a boca. Ao longo da história do planeta, que tem aproximadamente 4 bilhões de anos, houve a formação dessas planícies vulcânicas. Juntas, elas perfazem 6% da superfície de Mercúrio, o equivale a cerca de metade do território brasileiro, em área.

Apesar de o planeta já ter uma idade considerável, os cientistas defendem que tais erupções foram relativamente rápidas. Eles afirmam não poder precisar se tais erupções aconteceram em questão de dias ou alguns poucos anos, mas garantem que certamente não foi um processo de milhões de anos.

Um mapeamento de Mercúrio mostra que o planeta é coberto de crateras. Um exame mais aprofundado, feito pela NASA, observa que algumas dessas crateras são relativamente frescas, o que indica atividade vulcânica recente. Ainda não se havia observado, por exemplo, que grande parte da superfície é coberta de enxofre, proveniente das erupções.

Esse conjunto de condições, combinado com a radiação solar, faz com que haja materiais voláteis em constante movimentação na superfície do planeta. O significado disso é simples: Mercúrio não está estático, e os levantamentos posteriores devem mostrar dados ainda desconhecidos.

Além do enxofre, Mercúrio tem altas doses de potássio, tório e urânio. A radiação solar, que explica muito sobre certas características, colabora em outra revelação. Aparentemente, o planeta emite ondas constantes de raios gama, o que abre portas para novas teorias de como Mercúrio se originou. Há a ideia de que o planeta tem mais em comum com Vênus, Terra e Marte do que se imaginava.

Outra novidade, que tem estimulado debates, é sobre a temperatura. Conforme o novo levantamento da NASA, Mercúrio não é tão quente quanto os astrônomos acreditam. Primeiro, porque uma temperatura muito alta iria carbonizar todos esses elementos voláteis que circulam na atmosfera. Além disso, está ganhando força entre os cientistas a ideia de que Mercúrio está, na verdade, esfriando ao longo do tempo.

A sonda Messenger também investigou outro campo inexplorado sobre Mercúrio. Mais precisamente, o campo magnético. A base desse campo, como já se imaginava, é igual à da Terra: parte de eletricidade conduzindo fluidos por dentro de um núcleo metálico. No caso da Terra, é esse campo magnético que mantém o limite da atmosfera na distância em que está, e Mercúrio também tem essa vantagem. Mas o planeta, obviamente, não reúne várias outras condições para que haja vida. [Space]

Planeta com dois sóis


Telescópio espacial Kepler descobre planeta com dois sóis

Um planeta com dois sóis é a descoberta mais nova do telescópio espacial Kepler, da Nasa (agência espacial americana). Em um estudo publicado nesta quinta-feira, cientistas mostram como é o novo astro, com tamanho similar a Saturno.

O novo corpo celeste fica no sistema estelar batizado de Kepler-16, na região da constelação da Lira. Suas duas estrelas mães têm tamanhos diferentes; uma possui massa equivalente a 70% o tamanho do Sol e a outra, menos brilhante e de espectro mais avermelhado, de 20%.

Science
O novo astro com dois sóis, descoberto pelo telescópio espacial Kepler, tem um tamanho similar a Saturno
O novo astro com dois sóis, descoberto pelo telescópio espacial Kepler, tem um tamanho similar a Saturno

Sistemas binários, como são conhecidos esses pares de estrelas, são comuns na nossa galáxia e teóricos já havia postulado a possibilidade de planetas orbitarem ao seu redor. Esta, porém, é a primeira vez que astrônomos descrevem isso sem margem de dúvida.

A descoberta do novo planeta foi possível porque o telescópio Kepler observa sua órbita de perfil, e é capaz de perceber a tênue queda de luminosidade cada vez que o planeta eclipsa uma das duas estrelas.

JPL-Caltech/R. Hurt (SSC)/Nasa
Os astrônomos estudaram a relação gravitacional entre os três objetos celestes ao mesmo tempo
Os astrônomos estudaram a relação gravitacional entre os três objetos celestes ao mesmo tempo

O planeta, porém, está longe demais para que os astrônomos consigam enxergar seu contorno diretamente.

Batizado de Kepler-16b, o planeta faz a luminosidade do sistema sofrer uma queda de 1,7% durante o eclipse da estrela maior e de 0,1% durante o eclipse da estrela menor.

O Kepler, que monitora mais de 150 mil estrelas na região, é o único telescópio com sensibilidade suficiente para detectar variações tão pequenas e capaz de acompanhá-las sem interrupções.

O novo planeta foi observado em todo o seu “ano” e cientistas conseguiram determinar que o raio médio de sua órbita é de aproximadamente 100 milhões de quilômetros, dois terços da distância entre o Sol e a Terra.

Para confirmar a descoberta, porém, astrônomos precisaram encarar um desafio bem mais complexo, pois não tiveram de estudar apenas a órbita do novo planeta, que dura 229 dias.

As estrelas A e B também exercem força gravitacional entre si e mudam de posição o tempo todo em relação ao centro do sistema. Isso fez com que os períodos de órbita detectados pelos cientistas em um primeiro momento variassem entre 221 dias e 230 dias, um dado difícil de interpretar.

DANÇA A TRÊS

A relação gravitacional entre três objetos celestes –desafio conhecido pelos físicos como o “problema dos três corpos”– ainda é um problema para o qual não existe solução geral. Quando se estudam apenas dois objetos interagindo no espaço, a exata posição de cada um deles pode ser prevista no futuro simplesmente por meio da medição de sua trajetória e aplicação de uma fórmula. A inclusão de um terceiro corpo na equação, porém, torna tudo imprevisível.

“A atração gravitacional de cada estrela ao terceiro corpo varia com o tempo em razão das mudanças de posição dos três corpos”, escrevem os cientistas em estudo na edição de hoje da revista “Science”. O trabalho foi coordenado pelo astrônomo Laurance Doyle, do Centro Carl Sagan para Estudos da Vida no Universo.

Para lidar com o problema de medir a configuração orbital de um planeta mais duas estrelas, os cientistas tiveram de criar uma simulação do movimento dos astros. Usando um computador e um modelo matemático complexo para prever o comportamento do sistema de maneira aproximada, os pesquisadores conseguiram reproduzir a dança celeste em Kepler-16 com grande precisão.

O cenário que inicialmente se apresentou como desafio aos cientistas, afinal, acabou se apresentando como vantagem: um número maior de interações gravitacionais permitiu aos pesquisadores calcular com grande precisão a massa e o tamanho das estrelas, algo que nem sempre é possível em sistemas binários sem planetas.

Os astrônomos, por fim, conseguiram determinar a massa do planeta como sendo similar à de Saturno. Kepler-16b, porém, é um pouco mais denso, sendo composto provavelmente metade de gás e metade de elementos em forma sólida. (Saturno tem 2/3 de sua massa na forma de gás).

TATOOINE

Fãs da série de filmes “Guerra nas Estrelas” podem se perguntar a recente descoberta não seria uma encarnação de Tatooine, planeta ficcional com dois sóis onde o personagem protagonista da série, Luke Skywalker, cresceu.

Kepler-16b, porém, teria uma atmosfera muito mais espessa e escura do que a de seu companheiro imaginário, e temperaturas gélidas que chegam a -100 ºC. Provavelmente incapaz de abrigar vida e em nada parecido com o deserto ensolarado de Tatooine.

 


Novo planeta semelhante à Terra tem potencial para vida

Astrônomos europeus anunciaram nesta segunda-feira a descoberta de 50 novos planetas fora do Sistema Solar. Entre eles, um que poderia ter água líquida, condição fundamental para o desenvolvimento da vida como a conhecemos.

Batizado de HD 85512b, o novo astro é uma das 16 super-Terras –nome dos planetas com massa entre uma e dez vezes a da nossa Terra– localizadas pelo ESO (Observatório Europeu do Sul).

Situado a 35 anos-luz da Terra, o exoplaneta (nome dado aos astros do tipo fora do Sistema Solar) fica na chamada zona habitável.

“A zona habitável é a distância do planeta à estrela que ele orbita onde há condições de existir água em estado líquido. Isso varia conforme o tamanho e o brilho de cada astro”, explica Gustavo Rojas, físico da Universidade Federal de São Carlos e responsável pela divulgação das ações do ESO no Brasil.

Divulgação
Ilustração artística do HD 85512b, planeta localizado fora do Sistema Solar que pode conter água líquida
Ilustração artística do HD 85512b, planeta localizado fora do Sistema Solar que pode conter água líquida

No caso do novo planeta, a estrela é menor e menos brilhante do que o Sol. Por isso, para haver condições que permitam ter vida, ele precisa ter a órbita mais próxima dela. O HD 85512b, no entanto, está quase no limite dessa proximidade. “Ele fica bem perto, no extremo da zona habitável”, afirmou Rojas.

Para que o planeta não seja quente demais para a vida, é preciso uma condição especial. Ele tem de ser nublado, com pelo menos 50% do céu coberto de nuvens.

“As nuvens ajudam a refletir a luz solar, e isso auxilia no resfriamento da temperatura”, disse o físico.

Mas, para saber como é a composição e a possível atmosfera do planeta recém-descoberto, ainda é preciso esperar. A geração atual de telescópios ainda não consegue captar essas informações.

Na opinião de Rojas, é preciso cautela. “O fato de o planeta estar na zona habitável não significa necessariamente que poderia ter vida. São coisas diferentes, é preciso salientar.”

CAÇADOR DE PLANETAS

Os novos exoplanetas foram descobertos pelo espectrógrafo Harps, o descobridor de planetas mais bem-sucedido do mundo.

Ele fica montado em um telescópio de 3,6 metros no Observatório de La Silla, do ESO, no Chile, e já localizou mais de 150 outros planetas.

Como esses astros ficam muito longe da Terra para serem fotografados, os astrônomos usam um método que capta a presença do planeta medindo a ação gravitacional dele sobre sua estrela.

O anúncio dos 50 novos planetas, feito em um congresso científico sobre sistemas solares extremos nos EUA, animou os pesquisadores. Esse é o maior número de planetas desse tipo anunciado de uma só vez.

E, segundo os astrônomos, os números não devem parar de crescer. Se há pouco mais de 20 anos não se tinha certeza de que havia planetas fora do Sistema Solar, agora já há mais de 600 confirmados. E 1.235 fortes candidatos ainda por confirmar.

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